Em 2015, uma cúpula da Organização das Nações Unidas estabeleceu uma nova agenda de desenvolvimento sustentável e definiu os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Esses 17 objetivos, ou os 17 ODS, visam “acabar com a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar para todos, proteger o meio ambiente e enfrentar as mudanças climáticas” (ONU). Um deles, o ODS 6, é justamente sobre a água: assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos e todas. Entre outras, tem como metas garantir que até 2030 o acesso à água potável e segura e ao saneamento e higiene alcance todas as pessoas.

O saneamento básico é um direito assegurado a todos pela Constituição Federal do Brasil, e incorpora o abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza e drenagem urbana, manejo de resíduos sólidos e de águas pluviais. Porém, mais de 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada e esse número ultrapassa a casa dos 100 milhões quando falamos de ausência de coleta de esgoto, o que significa que mais da metade da população não é atendida por esse serviço.

Mas você conhece o impacto que a falta de saneamento causa na saúde pública?

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2017 ocorreram 263,4 mil internações por doenças de veiculação hídrica – condições de água não tratada e falta de saneamento básico. Além disso, estima-se que a cada R$1,00 investido em saneamento, R$4,00 são economizados em saúde, ou seja, essa não é uma questão apenas de quem sofre com essa carência, mas uma questão de saúde pública pela qual todos deveriam lutar.

A água é um bem fundamental na vida de todas as pessoas, mas alguns problemas estão ligados à sua qualidade e envolvem diretamente saneamento e saúde. Todos sabem que o organismo humano não suporta mais do que 3 ou 5 dias sem água, porém, o consumo de água sem tratamento correto pode causar doenças graves, como febre tifóide, hepatites A ou B, cólera, leptospirose e diarreias infecciosas, e até levar um indivíduo a morte.

Agora, mais do que nunca, o uso da água tem sido indispensável, tendo em vista o cenário em que nos encontramos, com uma pandemia assolando o mundo inteiro. Sabemos que o vírus é transmitido pelo contato entre duas pessoas ou entre pessoas e objetos que estejam contaminados, por isso a importância da higienização não só das mãos, mas de tudo que possa oferecer algum risco. Essa higienização é uma das principais ações que podemos tomar para evitar a propagação e nos protegermos, mas ela está intimamente ligada a suposição de que todos têm acesso a água limpa, o que não acontece em nosso país, como pudemos concluir a partir dos dados supracitados.

Agravando essa problemática, especialmente na região Sul do país, enfrentamos a estiagem e a redução da capacidade dos recursos hídricos, que, segundo a EPAGRI, se caracteriza como a pior crise hídrica desde 2006. Tal fato interfere diretamente na disponibilidade e acessibilidade ao abastecimento urbano, o qual está com uso excessivo pelas razões higiênicas devido aos contágios do Coronavírus, bem como da permanência das pessoas em casa, favorecendo o aumento de limpezas em geral.

E o que podemos fazer para evitar uma situação tão crítica assim?

Nós não temos controle sobre a quantidade de chuva, mas podemos tomar algumas atitudes bastante simples no dia a dia que já fazem uma enorme diferença para reduzir esse consumo, economizando água e diminuindo alguns impactos da estiagem.

Uma opção é priorizar o reuso da água, por exemplo, usar a água da máquina de lavar para limpar áreas externas, garagens, jardins e veículos. Um bom aliado para isso é o projeto de captação da água da chuva feito pela EJESAM, que evita o desperdício da água potável, uma vez que reutiliza a própria água da chuva para fins como descargas, lavagens e irrigações. Além de ser sustentável, ele também traz uma economia na conta de água.

Outras ações que também contribuem nessa redução são: tomar banhos rápidos, limpar os restos de comida das louças e escovar com uma esponja antes de enxaguar, evitar de lavar áreas externas quando se pode simplesmente varrê-las. Para mais informações sobre outras coisas que podem ser feitas, consulte nossos manuais de sustentabilidade, onde se encontra um conteúdo bem amplo sobre o assunto, com dados específicos sobre consumo e gastos.

Além da captação da água da chuva, outros projetos que realizamos na EJESAM favorecem também a melhoria dessa condição, como o projeto de drenagem e a adequação à rede de esgoto.

A drenagem é um projeto que redireciona a água para um local adequado, evitando focos de doenças em locais com água estagnada e favorecendo a saúde pública. Já a adequação à rede de esgoto, direciona o esgoto não tratado às estações de tratamento e, posteriormente, destina aos corpos hídricos, em melhores condições, de acordo com a legislação. Caso o esgoto não receba o devido tratamento, as águas ficarão poluídas e a população poderá sofrer impactos negativos ao se contagiar com alguma doença.

Através de todas essas informações, agora podemos e sabemos como fazer nossa parte, para assim economizar um recurso de grande importância, e, aos poucos, recuperar esse cenário causado pela falta de tratamento e distribuição da água, que tanto afeta a saúde pública.

Referências:

https://www.nsctotal.com.br/noticias/estiagem-em-santa-catarina-ja-e-a-pior-desde-2006-segundo-a-epagri

https://www.casan.com.br/noticia/index/url/dicas-de-uso-responsavel-da-agua-3#0

http://tratabrasil.org.br/

https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2020/03/22/interna_internacional,1131299/dia-mundial-da-agua-e-coronavirus-bilhoes-nao-tem-acesso-a-agua-e-sab.shtml

http://www.pmf.sc.gov.br/entidades/infraestrutura/index.php?cms=plano+integrado+de+saneamento+basico

Escrito por: Amanda Fernandes, Maria Letícia Biavatti e Rafaela Hahne

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